Em 1994, desembolsei a quantia de R$ 800,00 (oitocentos reais) na compra do meu primeiro carro, uma Pickup Fiat 147 Caçamba Curta, 1980. Com a documentação irregular e inúmeras multas (situação comum em modelos antigos e de baixo valor comercial) não justificava legalizá-lo, o valor a ser pago superava em até três vezes o valor do carro. Felizmente, nessa época, a fiscalização era mais branda.
Negócio fechado, dirigi o carro do centro da cidade, Feira de Santana – Ba, até a minha casa com todo o cuidado e em baixa velocidade. Queria que todos soubessem da novidade: “eu não era mais um pedestre!”.

Ao chegar, convidei todos para vê-lo. Tantos parabéns “sem graça” com olhares de reprovação. Deviam estar pensando: “que ‘abacaxi’ ele comprou!”. Não dei importância, não havia como retirar de mim aquele momento mágico: O MEU PRIMEIRO CARRO!
Todo calhambeque que se preze tem que ter um nome, eu o batizei de Taz (referência ao desenho do Taz). Taz teria de ficar impecável para debutar na vida noturna da cidade. Passei o resto do dia escovando-o, aspirando-o e banhando-o com uma mistura de água com querosene. Ficou lindo!
Assim como Taz, eu também merecia entrar no meu “lava a jato”. Depois de quase uma hora ao chuveiro, eu estava pronto para rodar noite a fora no meu “muscle car”. Liguei para um amigo para irmos caçar “batonetes”. As 19:00 hs, ele bateu ponto na minha casa, entramos no carro, eu finalmente girei a chave e… Nada! Foi isso que aconteceu. Não funcionou. Apelamos então para o velho “tombo” (empurra o carro e tentar dar a partida). Empurramos esse carro por quase todo o bairro e todo o esforço foi em vão. A decepção expressa em nossas faces era tragicômica.
-Não tem jeito, afirmou meu amigo.
Tive que concordar. Já haviam se passado 3 horas empurrando o carro sem nenhum sucesso. De repente, bateu aquela confiança e eu insisti que tentássemos uma última vez.
-Pegou! Pegou! Zorra! Desabafei.
Ambos, exaustos e sujos, nos dirigimos ao barzinho mais próximo. Pedi uma cerveja, joguei as chaves do carro sobre a mesa com um lindo chaveiro preso a elas para chamar a atenção da mulherada. Uma hora depois, estávamos tomando todas acompanhados por duas gatinhas (bondade minha chamar onça de gatinha).
Hora de pagar a conta e levar as gatinhas para suas casas. Tava chovendo e só cabiam duas pessoas na cabine do Taz e agora?
– E aí “coligado” como vamos resolver isso? Questionei ao amigo.
– Eu é que não vou levar chuva nas costa depois de tudo que passei hoje.
Tive que concordar com ele.
Como era de se esperar, Taz mais uma vez não pegou na chave. Só que dessa vez colocamos as gatinhas para empurrá-lo e o danado pegou de “prima”. Entramos na cabine e mandamos as mocinhas subirem na caçamba. Altas horas da madrugada, elas não tinham alternativa. Entregamos ambas molhadinhas nas suas casas. Trocamos telefones, mas até hoje elas não nos ligaram. Vai entender as mulheres.
Tantos anos passados e as inúmeras histórias protagonizadas por Taz continuam vivas em minha mente. Daria até para escrever um livro com as aventuras que o Taz proporcionou-me.
Meu primeiro carro, não foi tão velho, pois tinha apenas 2 anos de uso o que era considerando na época um carro novo. Depois de algum tempo e de algumas situações de dificuldades, comprei e usei um modelo mais velho. A experiencia foi boa, pois aprendi mecânica básica sem precisar ir a nenhum curso. Os apelidos foram vários, tipo: Tio Maneco, Sky Lab e etc. Depois de melhorar e comprar um carro semi-novo, encontrei uma oportunidade de negocio que parecia de outro mundo ou seja ótima. Trocar meu carro todo bonitinho num carro caindo aos pedaços pois a vantagem é que tinha uma licença de Taxi, lá fui eu andar de carro velho novamente. Só para se ter uma idéia o carro fechava a porta do motorista com um grampo de mola de caminhão, pois a fechadura não funcionava e a porta tinha que segurar quando abria para não cair.
Mesmo assim tenho boas lembranças e dou muita risada quando lembro, rssssss, na época era só reclamação.
Erivan, um grande abraço e parabéns pelo artigo.